Chegam ao mercado as câmeras na bitola 8 mm, indicadas para uso doméstico e amador. Uma dessas câmeras chega às mãos do redator publicitário e cinéfilo Vicente Cecim que, de 1975 a 1979, realiza o «Kinemandara», um ciclo poético-cinematográfico, um universo nublado e intimista deste cineasta de uma Belém onírica e irreal.
A série é composta por cinco filmes: «Matadouro» (1975), «Permanência» (1976), Sombras (1977), «Malditos Mendigos» (1978) e «Rumores» (1979). Os filmes em super-8mm, sem áudio, eram exibidos em sessões cineclubistas acompanhadas de músicas em toca-discos. Nos anos 2000 quando foram digitalizados Cecim incluiu as trilhas sonoras.
Ainda nos anos 1970 em Belém Ronaldo Moraes Rêgo (A Perseguição) e Paes Loureiro (Elegia para uma cidade) realizam experimentações cinematográficas em super-8mm, existem ainda produções do período não catalogadas.
Atravessando a Baía do Guajará, na Ilha do Marajó, o padre italiano Giovanni Gallo, apontava a lente da sua super-8 para os habitantes e as paisagens do lugar, realizando obras de caráter etnográfico como «O jacaré já era», de meados dos anos 1970, onde acompanha uma caçada ao animal.
A Casa de Estudos Germânicos da UFPA em parceria com a Embrafilme realiza dois ciclos de oficinas em práticas cinematográficas nos anos 1980 de onde, entre outros, são realizados os curtas-metragens «Ver-O-Peso» (1984) e «Marias da Castanha» (1987) de Edna Castro e Simone Raskin.
Com o surgimento do vídeo novas possibilidades se incorporam ao fazer cinematográfico, uma dessas experiências poéticas é o vídeo arte «Cenesthesia» (1988), de Toni Soares, Dênio Maués e Jorane Castro, filmado em Super-VHS.



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