Essa pequena joia do cinema paraense realizada pelo santareno Emanoel Loureiro é o nosso Filme do Mês de fevereiro de 2021. Realizado na cidade natal do realizador com recursos próprios e lançado em 2007 conta em seu elenco com atores não-profissionais em excelentes atuações. O roteiro segue o dia de um garoto que vai do interior vender picolé na cidade e se envolve em pequenas aventuras. Simples e preciso, amazônico de fato, como poucos filmes realizados no estado do Pará conseguiram ser. Segue o filme para apreciação assim como um pequena entrevista com o realizador.
Como surgiu a ideia para o roteiro de Meu Tempo Menino e como foi a pré-produção?
EL: A criação do enredo desse meu primeiro curta foi logo após escutar a música Tempo Destino do Nilson Chaves. Inspirado pela letra, saí caminhando pela orla de Santarém e todos os “atores” e o “mis en scene” passaram por mim nessa caminhada. Empolgado, fui convidando essas pessoas para participarem do filme. Toda a sorte de desafios apareceu. Nenhum patrocínio ou apoio foi conseguido. Não consegui montar uma equipe de filmagem. Assumi a responsabilidade sozinho, juntamente com um amigo. Lidar com não-atores até foi tranquilo nesse caso, pois todos estavam muito entusiasmados.
Quais os maiores desafios de realizar um filme inteiro em Santarém (PA), com elenco e produção locais?
EL: O roteiro foi feito às pressas pois não perder a oportunidade, então eu praticamente escrevia uma cena a noite para fazê-la no dia seguinte. A ausência de atores profissionais e de uma equipe profissional na época, freiava o andamento das filmagens. Tudo era muito lento.
Como o filme repercutiu em mostras e festivais e o impacto dele na sua trajetória de realizador?
EL: Esse curta teve ótima aceitação no Norte/ Nordeste e marcou sensivelmente minha estreia como realizador. Principalmente, por ter sido uma ponte de ligação de um diretor interiorano com o país, numa época em que a internet engatinhava.



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