
O dia 27 de outubro celebra o dia internacional do patrimônio audiovisual, uma data para lembrar da importância dos acervos audiovisuais para a memória do mundo. Em alusão a data, em sua sétima edição, a Semana Semana do Patrimônio Audiovisual da Amazônia, realizada desde 2013 pela Cinemateca Paraense, entrevista quatro realizadores amazônidas que capturaram ao longo dos anos imagens deste múltiplo universo imagético e sonoro da nossa região. Como entrevistados convidados teremos os realizadores amazônidas Adalberto Júnior, Edivaldo Moura, Fernanda Brito Gaia e Aurelio Michiles. A Semana também tem a honra de exibir “O cineasta da selva” (1997) de Michiles, atualmente fora de streamings.
Adalberto Júnior é realizador, documentarista, editor e diretor de fotografia, tem no currículo dezenas de produções desde os anos 1980 em Belém. Participou de produções do cinema paraense como da série “Lendas Amazônicas” (1998), “Chama Verequete” (2002) e “Origem dos Nomes” (2005). Nos anos 1980 foi videomaker independente e fez registros únicos da cena cultural de Belém, e foi assistente de câmera de produções internacionais que passaram pelo Pará no período.
Edivaldo Moura, natural de Castanhal (PA), realiza uma série de obras documentais memorialistas sobre seu município. A partir do curta-documentário “Memórias do Cine Argus” (2014) e sua versão ampliada em longa “O cinema do Seu Duca” (2016), sua trajetória audiovisual se debruça na salvaguarda das histórias e memórias da sua cidade, em filmes como “A Última Maria” (2021), “Do que Sinto Saudade” (2021) e “Era uma vez em Castanhal” (2023), e o mais recente, premiado na segunda mostra Novíssimo Cinema Paraense, “O Silêncio do Parque” (2024).
Fernanda Brito Gaia é paraense, cineasta, artista visual e diretora de fotografia, com mais de 20 anos de carreira e já participou de dezenas de obras de reconhecidos cineastas e produtores nacionais em diversas funções, em longas e curtas-metragem. Dirigiu “Sombras de um rio” (2012), fundamental registro dos impactos da hidrelétrica de Belo Monte nas tribos e ribeirinhos na região do Xingu, além de episódios de séries, videoarte e videoclipes. Membro da Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) divide seu tempo entre o ofício no audiovisual e o ativismo, participando de projetos de formação e inclusão no audiovisual. Fez a direção de fotografia do filme de Zienhe Castro “O Homem do Central Hotel” (2019) e série paraense de dez episódios “Lar doce lar” (2024).
O manauara Aurélio Michiles, diretor da ficção-documental “O cineasta da selva” (1997), marco da retomada do cinema brasileiro sobre o realizador português Silvino Santos, que registrou a Amazônia do início do século XX, entre outras obras como “A agonia do mogno” (1992), “Teatro Amazonas” (2002), “Tudo por amor ao cinema” (2014), e mais recentemente o longa-metragem documental “O segredo de Putumayo” (2020), pelo qual ganhou o prêmio de melhor documentário pan-amazônico no 8º Amazônia (Fi) Doc e o prêmio de melhor documentário brasileiro da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
As entrevistas foram gravadas e serão publicadas no canal do Youtube da Cinemateca Paraense, com mediação do curador e Doutor em Cinema Ramiro Quaresma, e percorrem as filmografias dos realizadores convidados com ênfase em suas experiências em pensar, filmar e guardar imagens da Amazônia em suas obras. As edições anteriores neste formato também estão disponíveis no canal, com nomes como Priscilla Brasil, Roger Elarrat, Moisés Magalhães, Adrianna Oliveira, João Luciano, entre outros realizadores e pesquisadores.
Também teremos a honra de exibir, em sessões programadas durante a Semana em nosso site (cinematecaparaense.org), “O cineasta da selva” (1997) de Aurelio Michiles. O filme se encontra fora de catálogo e essa exibição virtual só será possível com o apoio institucional da Sommos Amazônia, que em breve disponibilizará em sua plataforma a filmografia de Michiles junto com um acervo gigante de arte e cultura amazônica, e da Superfilmes, produtora que detém os direitos do filme. Com José de Abreu, Denise Fraga, Rosi Campos, o documentário ficcional, com depoimentos do próprio Silvino Santos, aprendeu a arte da cinematografia nas oficinas Pathé-Frérès e nos Laboratórios dos Irmãos Lumiérè, na França, o filme de Michiles é sobre os primórdios do cinema não apenas na Amazônia como também no Brasil.
Esta edição faz parte das atividades formativas do projeto “I Ciclo de Formação em Preservação Audiovisual – Cinemateca Paraense”, que aconteceu presencialmente entre 23 e 27 de setembro no Auditório Eneida de Moraes do Museu da Imagem e do Som do Pará, e contemplado na Lei Paulo Gustavo de formação, mostras e festivais. Evento inédito no campo da preservação audiovisual trouxe a Belém nomes como Débora Butruce (ABPA), Vanessa Rodrigues (LUPA) e Marco Dreer, e contou com a presença de Felipe Cortez, Nando Lima, Léo Bitar, Mateus Moura, San Marcelo, entre outros.
A 7ª Semana do Patrimônio Audiovisual da Amazônia, compondo a programação do 1º Ciclo de Formação em Preservação Audiovisual – Cinemateca Paraense tem idealização e coordenação de Deyse Marinho, museóloga e mestre em preservação do patrimônio cultural pela EBA-UFMG. É uma realização da Cinemateca Paraense, com recursos da Lei Paulo Gustavo (Edital de Formação Audiovisual), Fundação Cultural do Pará, Secretaria de Estado de Cultura, Governo do Estado do Pará, Ministério da Cultura e Governo Federal, como apoio institucional da Sommos Amazônia.
AGENDA
Entrevistas com realizadores convidados
Adalberto Júnior: 28 de Outubro
Edivaldo Moura: 29 de Outubro
Fernanda Brito Gaia: 30 de Outubro
Aurelio Michiles: 31 de Outubro
Onde: www.youtube.com/cinematecaparaense e cinematecaparaense.org
Sessões virtuais de “O cineasta da selva” (1997) de Aurelio Michiles
Dias 31 de Outubro e 01 de Novembro às 21h
Dia 02 de Novembro às 16h
Onde: cinematecaparaense.org








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